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Modelos de Geração da Escrituração Fiscal Digital – Parte 2

Fala Galera!

Hoje eu estou voltando, para falar sobre os riscos que as operações de cadastro de entrada de produtos podem trazer para sua empresa.

Na matéria passada, eu falei sobre o modelo mais comum de como é feito o registro de entrada nos estoques das empresas.

Agora eu irei falar sobre os riscos dessa operação. Então, vamos lá.

Eu preciso agora que você imagine a seguinte situação. Eu estou comprando um produto, que é um pincel e eu estou comprando esse produto de três fornecedores diferentes. O primeiro fornecedor usa o código 100 para esse produto ele chama-o de “pincel” e desse fornecedor eu estou comprando 100 unidades.

O segundo fornecedor utiliza o código 250, chama o produto de “pincel vermelho” e dele eu estou comprando 50 unidades.

Já o terceiro fornecedor, utiliza o código 600, e utiliza a descrição “pincel para quadro” e dele eu compro 150 unidades.

Ou seja, no total eu comprei 250 unidades de pincel. Só que, a pessoa que faz a escrituração fiscal lá na empresa de contabilidade, ela não vai estar com o pincel em mãos para saber que se trata do mesmo produto. Simplesmente, ela recebeu três notas de fornecedores diferentes, com códigos diferentes, descrições diferentes e muitas vezes até mesmo preços diferentes.

Então, já que ela não esta com o produto em mãos para saber que todos são iguais, é muito comum que ela cadastre um novo produto no sistema para cada um desses códigos. Então ela vai cadastrar no código 100 o produto com a descrição “pincel”, no código 250 “pincel vermelho” e no código 600 o “pincel para quadro”.

Até ai tudo bem, porém o vendedor da loja quando no momento da venda, quando vai gerar o pedido de venda, ele não tá verá três códigos no sistema, ele verá um único tipo de produto na prateleira. Então, vamos supor agora que um cliente chegue e decida comprar as 250 unidades de pincel disponível. O vendedor irá emitir essa venda em um único código, vamos supor também que o código utilizado para venda desse produto na empresa seja um quarto código, o código 500, utilize somente a descrição “pincel” e fez a saída dessas 250 unidades.

Veja bem o problema que isso acarreta no estoque. Quando vamos fazer uma análise de estoque, sabemos que o EF (Estoque Final) é igual o EI (Estoque Inicial) mais as Compras (C) menos as Vendas (V) gerando a seguinte formula, EF = EI + C – V.

Então, com essas informações podemos chegar a seguinte conclusão. O código 100 que era o produto pincel, eu não tinha estoque inicial dele, comprei 100 unidades, nunca houve saída dessas unidades e então eu tenho que ter 100 unidades no meu estoque final.

Já o produto pincel vermelho, código 250, eu não tinha nenhum estoque inicial, comprei 50 unidades, não tive vendas, meu estoque final tem que ser 50.

Já o código 600, pincel para quadro, eu também não tinha estoque inicial, comprei 150 unidades, não fiz nenhuma venda, então é para eu ter 150 unidades no estoque. Já o produto 500, que ficou como descrição de “pincel”, eu não tinha estoque inicial dele, nunca tive entrada, fiz 250 vendas, porém precisaria haver 250 unidades dele no meu estoque inicial.

Portanto, qual é a conclusão que o fisco vai chegar com essas informações. Ele vai olhar e vai dizer o seguinte… “Meu amigo, como é que você vendeu 250 unidades do produto de código 500 sem nunca ter feito uma entrada desse produto?”.

Se você não comprou, mas vendeu, significa que você omitiu essa entrar. Então, você pode ter comprado, sem nota. Da mesma forma com os outros três primeiros produtos, que são o código 100, 250 e 600, eles tiveram entradas, mas nunca tiveram saídas, porém eles não vão constar no meu estoque físico final. Apesar de que no estoque virtual, que é o estoque fiscal, eles existirem e constar lá 250 unidades dele. Porém, quando a empresa fizer o levantamento de inventário e mandar esse inventário no bloco H, dizendo que esses produtos não constam mais lá, dessa vez o fisco vai dizer o seguinte: “Meu amigo, como é que você compra um produto, nunca emitiu nota de venda dele e ele não consta mais no seu estoque final?”. Então o fisco ira deduzir então, que você vendeu sem nota.

Percebam, pelo simples fato do formato que a gente faz a geração da escrituração fiscal ser utilizando único e exclusivamente os arquivos XML, onde a pessoa do setor fiscal não tem acesso às informações gerenciais da empresa e nem tem como fazer isso a olho nu. A probabilidade de que, existam ali omissões de entrada e omissões de saída no seu estoque fiscal é muito grande.